Os cartões consignados RMC e RCC continuam sendo motivo de muitas reclamações no Brasil. Diversos consumidores relatam dificuldades para cancelar os contratos, liberar a margem consignável e até entender como determinados valores foram liberados em suas contas. Em muitos casos, o cliente afirma que nunca recebeu o cartão físico, nunca desbloqueou o produto e mesmo assim existe saldo devedor ativo no sistema.

Uma das maiores reclamações envolve justamente o momento do cancelamento. Alguns consumidores dizem que o atendimento insiste para manter o cartão ativo, oferecendo vantagens, redução de juros, ausência de anuidade e possibilidade de uso emergencial. Embora os bancos possam apresentar benefícios do produto, o cliente continua tendo o direito de solicitar o encerramento do serviço.
Muitas pessoas acabam descobrindo a existência do cartão consignado somente quando percebem descontos no benefício do INSS ou quando tentam contratar outro empréstimo e encontram parte da margem comprometida. Isso acontece porque a Reserva de Margem Consignável funciona de maneira diferente de um empréstimo tradicional. Mesmo sem uso contínuo do cartão, a margem pode permanecer bloqueada.
Outro ponto que gera revolta é quando o consumidor afirma que nunca recebeu o cartão físico em casa. Existem casos em que o banco informa extravio durante a entrega, falha logística ou ausência do cliente no endereço. Ainda assim, muitos usuários não querem segunda via e desejam apenas o cancelamento definitivo.
Durante o atendimento, algumas instituições pedem validação facial por selfie para continuar o processo. Quando a selfie é reprovada, o atendimento pode ser encerrado temporariamente. Isso gera desconfiança em muitos consumidores, principalmente quando eles já estão tentando cancelar os cartões há vários dias.
A validação facial existe como mecanismo de segurança para evitar fraudes e proteger os dados do cliente. Porém, o consumidor pode questionar o processo quando sente que a análise não está sendo conduzida corretamente. Também é possível pedir nova tentativa, análise manual ou atendimento por outro canal oficial.
Entre os motivos que podem reprovar uma selfie estão:
- iluminação ruim;
- câmera desfocada;
- diferença na aparência atual;
- baixa qualidade do aparelho;
- documento divergente;
- sistema automatizado com erro de leitura facial.
Mesmo com a selfie reprovada, o consumidor ainda possui o direito de contestar cobranças, solicitar documentos e abrir reclamações formais. O cancelamento não deixa de existir apenas porque houve falha na biometria facial.
Outro detalhe importante envolve o chamado “saque na contratação”. Muitas pessoas descobrem que existe um saldo devedor relacionado a um saque liberado no momento da adesão do cartão consignado. Em vários relatos, o cliente afirma não compreender claramente como esse valor foi contratado.
Por isso, o consumidor pode solicitar:
- cópia integral do contrato;
- comprovante da transferência bancária;
- gravação da contratação;
- assinatura eletrônica;
- geolocalização do aceite;
- rastreamento do cartão;
- comprovantes de desbloqueio;
- histórico de utilização.
Caso o banco realmente possua toda a documentação correta, ele normalmente consegue apresentar os registros da contratação. Se houver inconsistências, o consumidor pode continuar questionando administrativamente ou até judicialmente dependendo da situação.
Muitos clientes também confundem empréstimo consignado comum com cartão consignado RCC ou RMC. No empréstimo tradicional, o valor das parcelas já vem definido desde o início. Já no cartão consignado, existe uma lógica semelhante ao cartão de crédito, onde parte do desconto mensal pode representar apenas pagamento mínimo da fatura.
Essa diferença faz com que algumas pessoas sintam dificuldade em entender a dívida. Em determinados casos, o saldo devedor demora muito tempo para reduzir, principalmente quando existem juros rotativos ou utilização contínua do limite.
Outro fator que aumenta as reclamações é a insistência de alguns atendimentos para manter o cartão ativo. O consumidor pede cancelamento e o atendente tenta oferecer vantagens para evitar o encerramento do produto. Embora isso faça parte da retenção comercial, o cliente não é obrigado a aceitar permanecer com o serviço.
Muitos aposentados e pensionistas preferem cancelar os cartões consignados justamente para liberar margem no INSS. Sem a margem bloqueada, eles conseguem contratar outras operações financeiras, fazer portabilidade ou simplesmente evitar novos descontos automáticos.
Em situações onde o consumidor afirma nunca ter recebido o cartão, a preocupação costuma ser ainda maior. Algumas pessoas ficam com medo de utilização indevida, fraude, saques não reconhecidos ou movimentações desconhecidas.
Por isso é importante guardar:
- prints das conversas;
- protocolos de atendimento;
- e-mails;
- comprovantes;
- notificações recebidas;
- extratos bancários;
- histórico de descontos do benefício.
Essas provas podem ajudar muito caso seja necessário registrar reclamaação formal futuramente.
Entre os canais mais utilizados pelos consumidores estão:
- SAC do banco;
- Ouvidoria;
- consumidor.gov.br;
- Banco Central;
- Procon;
- ação judicial.
O Banco Central não cancela contratos diretamente, mas a reclamação pode pressionar a instituição financeira a responder oficialmente o caso. Já o consumidor.gov.br costuma funcionar como plataforma de mediação entre empresa e cliente.
Em muitos relatos, o cliente só consegue resolver a situação após abrir manifestação formal nesses órgãos. Algumas instituições passam a analisar o caso com prioridade quando percebem que existe reclamação registrada.
Outra dúvida comum envolve a legalidade da contratação. Muitas pessoas perguntam se o banco pode criar cartão sem autorização. Em teoria, qualquer contratação financeira precisa de consentimento do cliente. Por isso a documentação da adesão é tão importante.
Quando existe suspeita de fraude, o consumidor pode pedir investigação detalhada. Em determinados casos, pode ser necessário bloquear cartões, alterar senhas e monitorar movimentações bancárias.
A tecnologia de biometria facial aumentou muito nos últimos anos. Muitos bancos utilizam inteligência artificial para validar selfies automaticamente. Porém, sistemas automatizados também podem falhar. Isso explica porque alguns clientes conseguem aprovação rapidamente enquanto outros enfrentam repetidas reprovações.
O atendimento digital também gera dificuldades para pessoas com pouca familiaridade tecnológica. Muitos aposentados têm dificuldade para enviar selfie corretamente, acessar aplicativos ou anexar documentos.
Outro ponto importante é diferenciar cancelamento do cartão e quitação da dívida. Mesmo que o consumidor peça encerramento do produto, ainda pode existir saldo devedor pendente relacionado a saques ou compras anteriores. Por isso é importante solicitar extrato detalhado da operação.
Em situações de discordância sobre o débito, o cliente pode contestar formalmente os valores. Dependendo do caso, a instituição financeira precisará demonstrar a origem da dívida.
As reclamações envolvendo RCC e RMC cresceram bastante nos últimos anos justamente pela dificuldade de compreensão do produto. Muitas pessoas acreditavam estar contratando apenas empréstimo consignado tradicional quando na verdade existia cartão consignado associado.
Por isso é fundamental ler contratos, verificar margens do INSS e acompanhar descontos mensalmente. Quanto mais cedo o consumidor percebe irregularidades, mais fácil costuma ser resolver a situação.
Outra recomendação importante é evitar fornecer documentos e selfies em links suspeitos recebidos por WhatsApp. O ideal é utilizar somente canais oficiais do banco.
Quando o consumidor sente que está sendo enrolado no atendimento, manter a calma ajuda bastante. Conversas agressivas podem dificultar ainda mais o suporte. O mais indicado é continuar registrando tudo por escrito e exigindo protocolos formais.
Existem casos em que o banco realmente resolve rapidamente após análise manual. Em outros, o consumidor precisa insistir diversas vezes até conseguir cancelamento e liberação da margem.
Também é importante acompanhar o extrato do benefício no aplicativo Meu INSS para verificar se ainda existe reserva de margem ativa. Muitas vezes o cancelamento do cartão demora alguns dias para refletir no sistema.
Alguns consumidores conseguem resolver diretamente pela ouvidoria do banco. A ouvidoria costuma atuar em situações onde o atendimento comum não solucionou o problema adequadamente.
A discussão sobre cartões consignados ainda gera muita polêmica no Brasil. Enquanto algumas pessoas utilizam o produto normalmente, outras relatam dificuldades de compreensão, contratação e cancelamento. Isso faz com que o tema continue sendo alvo constante de reclamações em órgãos de defesa do consumidor.

